O Hipismo Completo – antes denominado Concurso Completo de Equitação (CCE) – modalidade olímpica que reúne as modalidades Adestramento e Cross-country, fechou 2025 com saldo positivo para o Brasil no Exterior.
Para as principais ações e resultados, confira a entrevista com Leonardo Vani Fernandes, o Léo, cavaleiro amador e course-designer FEI, que assumiu a diretoria de Hipismo Completo da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) no 2º semestre de 2025.

Leonardo Vani Fernandes, diretor de Hipismo Completo CBH e course-designer internacional, a postos na trilha de Cross na Escola de Equitação do Exército em Deodoro (RJ)
CBH. Em 2025, foram 10 os concursos em diversos locais em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Minas Gerais. Qual a sua avaliação sobre a temporada 2025?
Leonardo Vani Fernandes. Acabei assumindo a função de Diretor de Hipismo Completo da CBH no meio de setembro de 2025. Com a saída de Rafael Christianini, o presidente Constantino Scampini me convidou para assumir a Diretoria. O diretor Rafael fez um trabalho excelente nos últimos anos, incentivou bastante as categorias de base com clínicas com o cavaleiro Guto de Faria no Brasil e clínicas nos EUA. Na alta performance, o Brasil conquistou a inédita prata individual e bronze por equipes no Pan-americano 2023, além de uma excelente performance em Paris 2024.
CBH. Um ponto importante foi a manutenção dos concursos na Escola de Equitação do Exército Deodoro. Como está a projeção para 2026?
Leonardo. Logo que assumi a diretoria, tínhamos um problema grande para resolver, que seria o local do Campeonato Brasileiro de 2025, que era para acontecer no Haras Cooper, porém o projeto não se concretizou. Com isso, unindo esforços com o presidente da CBH, também marquei uma reunião com o comandante tenente-coronel Rodrigo Barros de Oliveira, da Escola de Equitação do Exército, e o comandante coronel Marcelo Ferme (CDE), para levar o Campeonato Brasileiro de 2025 para Deodoro. Fui muito bem recebido por eles, conseguimos fazer o Campeonato em Deodoro e foi um sucesso, com 135 conjuntos inscritos em uma prova internacional e nacional de alto nível.
O Complexo da Escola de Equitação em Deodoro, local que também recebeu o hipismo na Rio 2016 e, anteriormente, no Pan-americano 2007, é de extrema importância para a manutenção e o desenvolvimento do Hipismo Completo, com percurso de cross-country e pistas de Adestramento e Salto de excelência, ótimas baias e, inclusive, um hospital veterinário, com possibilidade para receber concursos desde a série 0,50m até internacionais 4* longos (nível máximo).
Em 2026, teremos 11 concursos, incluindo dois Internacionais / Nacionais em Deodoro, ambos prevendo provas desde a série 50 cm até um Internacional 4* curto. No início de julho, entre os dias 1 e 5, acontece o Campeonato Brasileiro 2026, que também será a última seletiva para o Sul-Americano de 2026 – ODESUR, na Argentina, em setembro. (Consulte o calendário completo).
CBH. Nos últimos anos houve um crescimento de praticantes nas categorias de base. Como você avalia esse ponto?
Leonardo. Sim, tivemos um aumento bastante expressivo de participantes nas categorias de base, porém o mais importante é a continuidade e o futuro, para que os atletas sigam no esporte até a categoria Senior. Para tanto, chamamos o treinador Guto de Faria com a função de ajudar a treinar e incentivar a nova geração nas categorias de base no Brasil, em clínicas e acompanhando os atletas nas categorias de base.
CBH. Também foram realizadas clínicas com William Fox-Pitt, treinador do Time Brasil, o cavaleiro olímpico Rafael Losano e, recentemente, na Casa CBH, em Indaiatuba, Artemus de Almeida ministrou um treinamento de Salto e Joana Sliwik, no Adestramento. Por favor, comente os detalhes e a projeção em 2026.
Leonardo. O Rafael Losano, jovem medalhista pan-americano e cavaleiro olímpico radicado na Inglaterra, costuma dar clínicas principalmente para as categorias de base. Como faz muito frio na Inglaterra no final do ano, este é o momento em que conseguimos trazê-lo para o Brasil. Acho superimportante a vinda dele, pois, além da parte técnica, que é excelente, ele acaba passando para a garotada um pouco da experiência dele como profissional do cavalo no Exterior e, consequentemente, também recebe alguns garotos e garotas que querem seguir no esporte em sua casa, na Inglaterra.
William Fox-Pitt, medalhista olímpico e mundial e um dos grandes ícones da modalidade, é o nosso técnico e treinador da equipe principal. Acho importante a vinda dele ao Brasil pelo menos três a quatro vezes ao ano, pois, sem dúvidas, temos um dos melhores técnicos do mundo para nos ajudar. Este ano, como a Joana está na Alemanha em busca da classificação para o Mundial, resolvi chamar outro nome de peso no Adestramento, que é o Vinicius Miranda, para ajudar a equipe principal, dando clínicas na Casa CBH neste ano.
CBH. Jovens talentos em atividade no Brasil também têm participado de clínicas no Exterior. Por favor, comente a importância.
Leonardo. No início do ano passado, tivemos clínicas com a medalhista olímpica britânica Laura Collett, radicada nos EUA, com a participação de Valentina Ambrosio, Ana Approbato, Rafael Martins e Sayumi Gallo Izu.
Dessa turma, já temos a Valentina, que ficou um período com o Rafael Losano na Inglaterra. A Ana também deve seguir pelo mesmo caminho, e o Rafael Martins vai se mudar para a Inglaterra no segundo semestre de 2026. Acho muito importante que a garotada siga para o Exterior, onde acontecem as principais competições de alto nível.
CBH. No circuito Internacional, Marcio Carvalho Jorge fechou o ano como nº 44 do ranking mundial da FEI. Na liga Sul-americana e da América Central FEI, o Brasil lidera, com Marcio Jorge em 1º, Guto de Faria em 2º, Rafael Losano em 4º e, ao todo, 10 atletas entre os top 50. Entre os Juniores, Enrico Fofanoff é o 56º e Sayumi Izu, a 71ª. Quais as expectativas para este ano?
Leonardo. Acredito que em 2026 teremos boas surpresas no ranking FEI, com as provas internacionais agendadas no Brasil e os brasileiros que competem no Exterior. Tanto o ranking FEI quanto o da CBH mostram o resultado de um trabalho não só de um ano, porém de um longo período, que se dá por meio de treinamento, investimento em bons cavalos e força de vontade dos atletas.
CBH. Este ano acontece o ODESUR - Sul-americano na Argentina, qualificativo para o Pan-americano, e o Campeonato Mundial em Aachen, na Alemanha. Quais as expectativas?
Leonardo. Para o Mundial, já temos dois cavaleiros – Marcio Jorge e Rafael Losano – tecnicamente qualificados. Esperamos que, em um curto espaço de tempo, conjuntos em atividade no Brasil, EUA e Inglaterra também alcancem o índice para completar o time. Quanto ao ODESUR 2026, os critérios para formação da equipe serão divulgados muito em breve.
Fonte: CBH - imagem: acervo pessoal











